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Apesar de Trump, Obama vê "continuidade" em política externa


Em sua primeira entrevista coletiva após a eleição que entregou a Casa Branca a Donald Trump, o presidente Barack Obama disse nesta segunda (14) que acredita em "continuidade" em alguns temas cruciais de política externa, apesar das promessas do rival de apagar boa parte de seu legado.

"Há enorme continuidade e é isso o que nos torna uma nação indispensável para manter a ordem e promover a prosperidade no mundo", disse Obama, que elogiou o "interesse" demonstrado por Trump em que a transição seja suave.

Obama concedeu a entrevista na Casa Branca pouco antes de embarcar para a última viagem ao exterior de seu mandato, que incluirá Grécia, Alemanha e Peru. Em Berlim ele se reunirá com os líderes de Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha.

Quando a viagem foi planejada, meses atrás, a ideia era assegurar aos aliados europeus o apoio dos EUA à unificação européia, abalada depois do referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas a inesperada vitória de Donald Trump na eleição presidencial deve dominar as conversas. Entre as principais preocupações dos líderes europeus estão as críticas de Trump à Otan (aliança militar do Ocidente) e sua admiração pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Na entrevista desta segunda, o presidente disse que um dos principais objetivos da viagem será assegurar o compromisso americano com a aliança transatlântica, "que não é boa só para a Europa, mas também é boa para os EUA e vital para o mundo".

Depois de meses criticando Trump e em campanha ativa pela candidata de seu Partido Democrata, Hillary Clinton, Obama recebeu o vencedor da eleição na última quinta (10), quando enfatizou a importância de uma transição pacífica e ordenasa. O presidente eleito, por sua vez, deixou de lado os ataques a Obama e disse que esperava tê-lo como conselheiro.

A relativa distensão não apagou as profundas diferenças entre o atual e o próximo presidentes em diversos temas. Numa deles, a reforma da saúde conhecida como Obamacare, uma das principais bandeiras do presidente, Trump recuou um pouco de suas promessas bombásticas da campanha e afirmou após a vitória que poderá manter alguns de seus elementos. Obama disse que "será o primeiro" a admitir que o plano de Trump era melhor, caso ele amplie o acesso de serviços de saúde no país.

Obama contou que ficou surpreso com a "cordialidade" da conversa que teve com Trump e disse esperar que ele use alguns dos "óbvios talentos"que o levaram à Casa Branca sejam usados em benefício dos americanos. Mas não escondeu sua preocupação com as consequências da retórica agressiva usada pelo republicano na campanha e ressaltou a importância de o novo presidente esforçar-se para unir um país profundamente dividido.

"Disse a ele que por causa da natureza, da amargura e ferocidade da campanha, é importante enviar alguns sinais de unidade e estender a mão a minorias e mulheres que estão preocupados", disse Obama. Para o presidente, "Trump não é ideológico, mas pragmático", e isso pode ajudá-lo na Casa Branca.

No sábado o presidente participará em Lima da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífica (Apec, na sigla em inglês). Na capital peruana Obama também provavelmente terá que falar das promessas de Trump de reverter seu legado em assuntos próximos aos como a Parceria Transpacífica (maior tratado comercial da história, assinado por EUA e mais 11 países) e o Acordo do Clima de Paris. Com informações da Folhapress.

15 nov 2016


Por Redação
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