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Jovem conta como superou trauma de ver mãe ser incendiada pelo pai


A história da paulistana Amanda Carvalho, de 19 anos, tem se espalhado pelas redes sociais. Em um relato no Facebook, a jovem conta em minúcias a história do dia em que viu seu pai matar a sua mãe e como superou os traumas e cicatrizes – físicas e emocionais – deixadas pela tragédia.

O crime aconteceu em dezembro de 2014. No texto, Amanda relata que os pais foram casados por 20 anos e estavam separados recentemente, depois de longos anos de agressões e violência. A mãe se arrumava para ir para o trabalho pela manhã quando o pai apareceu na garagem e ateou fogo na ex-mulher. Em uma tentativa desesperada de protegê-la, Amanda entrou no meio da briga e acabou sendo acertada pela gasolina também.

“Corri para o banheiro e não lembro de quase nada mais desse dia”, escreve. Ela ficou um mês na UTI e quase dois internada e teve 57% do corpo queimado. A mãe morreu no mesmo dia, mas ela só soube semanas depois, no hospital. O pai se enforcou logo em seguida. Suas três irmãs, uma mais velha e duas mais novas estavam dormindo e não se machucaram.

"Depois do hospital, fui enviada para um centro de tratamento de pessoas queimadas para recuperar minha pele. Paralelamente, comecei a fazer terapia, para conseguir lidar com o trauma. Me incomodavam muito as marcas das queimaduras, mas tudo era pior porque minha mãe não estava ali. Eu sempre pensava que se ela estivesse ao meu lado, seria mais fácil."

Fora as feridas, Amanda ainda teve que enfrentar a culpa por achar que poderia ter salvado a mãe. Para esconder as cicatrizes, passou a evitar espelhos e adotou roupas compridas. As inseguranças antigas com o corpo, como os seios pequenos e os cabelos cacheados, se somavam agora à vergonha da pele queimada.

Ela diz que não sabe exatamente quando nem por que, decidiu se libertar das paranoias. “Se sair de casa, com todos me olhando e encarando minhas cicatrizes me incomodava, passei a usar cropped, levantar a cabeça e sorrir quando perguntavam o que era aquilo no meu braço”.

"Acho que nunca vou aceitar o que aconteceu, mas voltei a amar o meu corpo. Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, parte da minha história, de quem me tornei. Sou mais forte em tê-las. São como um escudo."

Amanda hoje vive com as irmãs e divide o tempo entre cuidar da mais nova, que tem paralisia cerebral, e estudar.

 

11 ago 2017


Por Redação

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