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Líder comunitário vendia kit-invasão por R$ 12,5 mil, segundo a PCDF


R$ 12,5 mil. Esse era o valor cobrado pelo líder comunitário Alisson Borges, preso nesta quinta-feira (28/9) pela Polícia Civil do DF, pelo kit-invasão na região do Pôr do Sol, em Ceilândia. O “pacote” incluía o lote com um barraco construído em área pública. Segundo as investigações, ele comandava uma organização criminosa mantida com recursos oriundos da grilagem de terras e do tráfico de drogas.

Ainda participavam do esquema três policiais militares, um deles reformado, e um servidor da Administração Regional de Ceilândia. O negócio teria rendido R$ 2,2 milhões. Parte do dinheiro seria utilizada para bancar a campanha de Borges a deputado distrital. O caso é investigado há nove meses. A informação chegou aos policiais por meio de denúncia anônima. A polícia estima que eles “administravam” 173 lotes no Pôr do Sol.

De acordo com o delegado Victor Dan, da 23ª Delegacia de Polícia, em algumas situações, o líder chantageava os moradores ameaçando chamar a Agência de Fiscalização (Agefis). Em outros casos, até chegava a acionar as autoridades, que iam ao local e faziam as derrubadas. Entretanto, depois da ação do governo, o próprio Borges fracionava os terrenos e os revendia.

Em um vídeo obtido pelos investigadores, Alisson fala para os moradores que policiais estão envolvidos no esquema e que o dinheiro em caixa da associação chega a R$ 2,2 milhões (confira abaixo).

 

Segundo a polícia, as vendas eram feitas da seguinte forma: os que desejassem ter apenas o lote pagavam R$ 10 mil em dez parcelas de R$ 1 mil. Já os que optassem pelo “kit invasão”, teriam que desembolsar R$ 2,5 mil pelo barraco e mais R$ 10 mil do lote.

Cinco traficantes presos na operação também tinham lotes na região. “Eles faziam a segurança dos terrenos e extorquiam moradores”, disse Victor Dan. “Há casos onde uma família não conseguiu pagar pelo lote e acabou tendo a casa invadida por 15 homens armados”, contou o delegado. Cerca de dez pessoas que compraram os terrenos compareceram à delegacia de forma voluntária para prestar depoimento nesta quinta.

Operação Confraria
Durante a operação, dez pessoas foram presas e documentos apreendidos. Entre os locais que foram alvo de busca está a Associação dos Moradores do Pôr do Sol (Asmsps), comandada por Alisso Borges.

Após meses de interceptação telefônica, a polícia conseguiu identificar a ação criminosa do líder comunitário, que é ligado a diversos políticos do Distrito Federal. Influente na região, ele andava sempre ao lado de seguranças armados e em carros de luxo.

De acordo com a polícia, Alisson Borges, além de vender terras irregulares, distribuía manuais para as pessoas que compravam os lotes, com instruções sobre como construir os imóveis e se estabelecerem nos locais.

Perigosos, os integrantes do grupo alegavam que tinham influência política e, quando desconfiaram da investigação, chegaram a dizer que colocariam “no bolso” o delegado Victor Dan, insinuando que o policial não seria capaz de prendê-los.

Por medidas de segurança, os presos foram encaminhados para delegacias de outra região administrativa do DF. A polícia usou cães farejadores para realizar as buscas.

Situado ao sul da maior e mais populosa cidade do Distrito Federal, Ceilândia, o Condomínio Pôr do Sol é uma área habitacional carente de infraestrutura, que enfrenta problemas típicos de regiões que cresceram devido à ocupação desordenada do solo.

28 set 2017


Por Redação
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