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Solidariedade: Crianças carentes ganham presentes achados no Lixão ou doados pela população


Os presentes de Natal de filhos de domésticas, de catadores de material reciclável e de desempregados são, na maioria das vezes, doados por terceiros. Funcionários de creches, instituições de caridade e “gente com dinheiro”, como define Marinalva Aparecida dos Santos, 43, moradora da Cidade Estrutural, passam pelas ruas da cidade durante a semana distribuindo brinquedos, roupas, calçados e alimentos.

A situação da família, formada por quatro filhos, dois netos e vários agregados, é crítica. “Quase todo mundo está desempregado”, lamenta a dona de casa Janaína Amador dos Santos, 23. Sua filha foi a única entre as crianças a receber presente. “Uma vizinha viu ela chorando porque não tinha ganhado nada e arrumou essa boneca”, conta. Os primos da garota não receberam nada. Brincaram, durante o almoço de ontem, com os brinquedos de sempre – pipas, ioiôs e bexigas cheias d’água.

Em uma família de catadores de materiais recicláveis, a alegria de Wallas, de três anos, foi receber presentes doados pela Creche Alecrim, na Cidade Estrutural. “Ele ganhou um carrinho, uma bola e algumas roupas de lá”, conta a mãe, Iris Taila, 19. “Às vezes a gente acha brinquedo bom no lixo, mas lava e passa álcool. O último que encontrei, que dava para ele brincar, foi um boneco do Shrek. Lavei bem e dei pro meu filho”, lembra a catadora.

Diretora e fundadora da creche onde Wallas está matriculado, Maria de Jesus Pereira de Souza, 31, explica que os presentes de Natal foram doados por pessoas físicas. “Nossas 107 crianças ganharam pelo menos seis brinquedos cada uma. Também demos roupas, calçados e uma cesta básica para cada família. Não fosse isso, a maioria das mães não teria condição de presentear as crianças”, afirma.

A diretora conhece a situação difícil de Iris e da avó de Wallas, Marli Gonzaga de Souza, de 45 anos. “Infelizmente, elas não têm como dar o suficiente que uma criança de três anos precisa, ganhando R$ 200 por mês”, revela.

A rotina de trabalho das duas gerações de mães solteiras não dá trégua nem no tradicional feriado de Natal. Enquanto conversavam com a reportagem, as catadoras enchiam sacos com garrafas pet para vender a R$ 20, cada um, no dia seguinte. O menino corria entre os sacos de material coletado no Lixão da Estrutural. Só interrompia a brincadeira para tomar banho com a água de um balde.


Doações


A situação financeira das donas de casa Janaína Souza, de 23 anos, e Amanda Nogueira, não é muito distante da vivida pelas catadoras de material reciclado. Os filhos de ambas ganharam presentes doados por terceiros. Samuel Nogueira recebeu, na escola, um boneco, um carrinho e uma bola. “Quem me deu foi o Papai Noel. Achei muito legal”, opinou o pequeno de apenas 5 anos.

Amanda Nogueira conta que a filha só recebeu presentes porque desconhecidos passaram pela rua durante a semana. “Ela queria um anel e uma lancheira, mas não tive condições de comprar”, conta a mãe de Júlia, de 4 anos.

Local funcionará até 20 de janeiro

A realidade desses catadores de material reciclável que trabalham no aterro controlado do Jóquei, popularmente conhecido como Lixão da Estrutural, deve mudar a partir de 20 de janeiro de 2018 – prazo final para o encerramento das atividades no local.

O prazo anterior, estabelecido pelo Governo do Distrito Federal (GDF), era 31 de outubro deste ano, mas acordos posteriores, fechados entre o GDF e as cooperativas de catadores de material reciclável, motivaram o adiamento. Segundo o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), há cinco galpões disponíveis para a instalação de até 1.230 trabalhadores.

As oito cooperativas que atuam no Lixão da Estrutural serão contratadas, desde que apresentem a documentação exigida. O SLU também informou que está prevista a construção de três centros de triagem de material reciclável definitivos. Assim, todo o material coletado na região será levado para esses locais e, lá, serão reciclados da maneira correta.

26 dez 2017


Por Redação
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